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Artigo

Cometa maior que o sol surge no céu e pode ser visto a olho nu!

Sim, é isso mesmo que você leu aí em cima, o Sol perdeu o posto de maior objeto do Sistema Solar.

Como?! Uma outra estrela invadiu nosso sistema?!

Longe disso. Quem assumiu este posto foi um cometa.

Calma, vamos aos fatos. O cometa Holmes, que aumentou seu brilho quase 1 milhão de vezes em 24 horas no dia 23 de outubro, passou a ser o maior objeto do nosso Sistema Solar de acordo com as últimas medidas de um grupo de astrônomos liderados por Rachel Stevenson. Eles usaram o telescópio Franco-Canadense-Havaiano de 3,4 metros no topo do vulcão Mauna Kea, no Havaí, para obter uma imagem do cometa e com isso tentar medir seu diâmetro. Eles chegaram à conclusão de que a bolha de gás e material em volta do núcleo do cometa já é ligeiramente maior que o tamanho do Sol!

Recapitulando: o cometa Holmes saltou de magnitude 17 para quase 2 em 24 horas apenas. Isso já havia acontecido antes com ele e especula-se que nas duas vezes deve ter havido uma explosão no interior do núcleo. Isso por que núcleos de cometas podem ser porosos, com grandes galerias e túneis que por vezes desabam e expõem material volátil que estava protegido pelas camadas superiores. Esse material aquece, sublima e explode o resto do gelo sujo à sua volta. Parece que foi isso que aconteceu com o Holmes.

O cometa 17P/Holmes foi descoberto há mais de 100 anos e possui uma órbita de sete anos de período, o que não permite uma grande aproximação do Sol — por isso ele é tão fraquinho. O seu perihélio (a menor distância até o Sol) se deu em maio deste ano e foi além da órbita de Marte.

A descoberta do cometa também aconteceu quando ele teve um aumento de brilho repentino. Primeiro, ele apareceu como um objeto fraco, observado nas imediações da galáxia de Andrômeda no dia 06 de novembro de 1892, mas em poucos dias ele se tornou visível a olho nu.

O que faz este cometa se comportar assim?

Ninguém sabe, mas algumas hipóteses são boas. Sabe-se hoje em dia que os cometas não são necessariamente rochas cobertas de gelo compacto. O gelo se estrutura como um queijo suíço, com túneis e galerias que sofrem com o regime de aquecimento/resfriamento durante o percurso da órbita. As variações de temperatura devem forçar o gelo a se expandir e contrair o que faz com que estas galerias colapsem de vez em quando. Quando isso acontece, uma parte interna do núcleo, rica em material volátil que ficava protegida pelas camadas superiores fica exposta, provocando uma súbita explosão de gás. Esta explosão lança para o espaço uma grande quantidade de gás misturado com poeira que reflete a luz do Sol. Esta é uma boa teoria, mas que dada a distância até o cometa, vai ser difícil de ser comprovada. Acredita-se que o mesmo tenha ocorrido em 1892, fazendo com que o cometa Holmes pudesse ser descoberto.

Infelizmente, o show só está disponível para o Hemisfério Norte. Quem estiver acima da linha do Equador deve procurar um disco difuso e amarelado (como na imagem de Igor Chekalin acima) na constelação de Perseu, na direção nordeste, logo após o entardecer.

Eric Allen do Canadá montou esta seqüência (abaixo) de imagens mostrando a expansão do gás em volta do núcleo e colocou lado a lado com o disco de Júpiter para comparar seus tamanhos. Como a distância da Terra até o cometa é agora quase a mesma da Terra até Júpiter, os tamanhos físicos podem ser comparados. Trocando em miúdos: a nuvem em volta do cometa poderia engolir Júpiter!

Mas o mistério em volta (literalmente) do cometa Holmes ainda não acaba aí. Até agora não há indícios de cauda neste cometa. Mesmo com tanto gás da explosão, ainda não existem evidências fortes de que exista uma cauda proeminente. Nesta segunda-feira (29) saíram duas fotos que sugerem de leve a existência dela, mas estranhamente a possível cauda não aponta para a direção contrária ao Sol, como se esperaria.

Ainda será preciso esperar mais um pouco até que a nuvem se dissipe para termos uma visão melhor do núcleo.

Cássio Leandro Dal Ri Barbosa

Fontes - http://colunas.g1.com.br/observatoriog1